segunda-feira, 25 de outubro de 2010

E os panzers tomaram Milão...


A copa de 1990 foi uma das piores edições deste torneio. Aquela que registra a menor média de gols da história da competição, foi dominada pelas formações defensivas das equipes que a disputaram. A Argentina depositava todas as fichas na participação de Goicochea para a decisão de pênaltis e em lampejos circunstanciais de Maradona. o Brasil empregava um futebol sem brilho, buscando jogar no contra-ataque e a grande sensação que era a Holanda, vencedora da Eurocopa dois anos antes, e que tinha em sua escalação três dos melhores jogadores da época, Gullit, Van Basten e Rijkaard, decepcionava empatando contra Egito e Eire e classificando-se em terceiro de seu grupo.

A seleção que dominou as atenções durante aquele torneio foi o time alemão, que começou com duas goleadas contra a Iugoslávia e os Emirados Árabes e seguiu como favorita até a vitória final. O time comandado por Beckenbauer, que se tornaria o segundo homem a vencer a Copa no campo e no comando do banco, tinha como pilares centrais, três jogadores que, assim como os atletas da Holanda, brilhavam no futebol italiano. Por coincidência, era também em um time de Milão que Matthaus, Brehmme e Klinsmann se destacavam. Durante os últimos anos da década de 80 e os primeiros da década seguinte, a Internazionale de Milão desafiou o Napoli de Maradona e o Milan dos holandeses, vencendo um campeonato italiano e uma copa da Uefa, sob a regência de seu trio tedesco e sob o comando de um velho conhecido dos milanistas, Giovanni Trapatoni, campeão europeu pelos rossoneri e como técnico com a Juventus de Platini. Com um futebol consistente e pragmático, Trapatoni fez a Internazionale retomar seus anos de glória, cujo auge eram os tempos de Helenio Herrera, quando os neroazzuri conquistaram a Europa por duas vezes seguidas.

Brehme era um ala que criava situações de perigo pela esquerda com suas descidas, chutes e passes milimétricos. Klinsmann era um centroavante que fazia juz a sua alcunha de "KataKlinsmann", explodindo as defesas adversárias com sua força, mas também com sua boa técnica e inteligência. Mas era com Lothar Matthaus que se condensava a personalidade da equipe interista. Trapatoni costumava dizer que não trocaria o alemão por Maradona ou Platini. Exageros à parte, aquele período marcou uma fase aúrea para Matthaus. Se em 86 ele se notabilizara por participar da final da Copa com a incumbência de anular Diego Maradona, quatro anos mais tarde, Matthaus, tornara-se o homem a ser marcado. Mas era a sua versatilidade em poder participar das ações ofensivas e defensivas de sua equipe, que tornavam Matthaus o protótipo do "novo modelo" de jogador que se inaugurava naquele tempo. Seu sucesso na Copa o ajudou a vencer o prêmio como o melhor jogador da Copa e de inscrevê-lo como o melhor do mundo naquele período. Os tifosi da Inter apenas se orgulhavam de seu sucesso e do sucesso da Alemanha, que carregava seu trio como alma e coração da equipe nacional. O ponto alto aconteceu justamente em Milão, durante a Copa de 90, quando nas oitavas-de-final se enfrentaram Alemanha x Holanda, ou seria melhor dizer Internazionale x Milan? E uma vitória da Alemanha nunca deve ter sido tão festejada por parte da Itália como aquela que levou Matthaus, Brehme e Klinsmann para as quartas, enquanto os astros do Milan, saiam derrotados de San Siro.

Nos posts a seguir, uma coleção de compactos que marcam as vitórias da Internazionale no campeonato italiano e na Copa da Uefa conquistadas pela equipe de Trapatoni.

Repostagens

Olá, queria me desculpar com alguns usuários, por não poder ter atendido ainda certos pedidos para repor links que estão expirados. Infelizmente, estou sem muito tempo para fazer isso no momento e ando colocando os posts, segundo me aparecem. Mas, tão logo possa fazê-lo, o farei. Abraço a todos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Porquê?


Depois de algum tempo sem frequentar os estádios do Brasil, há duas semanas atrás fui a dois jogos. Animado pelos colegas e desanimado pela expectativa de ver partidas enfadonhas, acabei me dobrando ao convite. No entanto, o resultado só me fez relembrar porque eu havia parado com essa prática.

Assisti a um jogo do Fluminense e a outro do Flamengo. Uma amostragem de duas pontas da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro e lhes digo: a diferença é sútil. Muito embora seja perceptível uma maior organização no time de Muricy, a lição genérica que tiro dessa experiência é que, de fato, o futebol brasileiro está vivendo uma época de vacas muito magras.

A carência de talento e imaginatividade dos times nesse campeonato é espantosa. São quase todos eles reféns de um monocórdio de estratégias que beiram o básico de uma pelada. Chuveirinhos, bolas paradas, loucas corridas dos jogadores que geralmente terminam em nada. Falta inteligência no meio, falta imaginação dos treinadores e dos jogadores para oferecer um real espetáculo, enfim falta talento.

Para o sujeito que vai ver um desses jogos na ânsia de presenciar algum lance diferente, alguma solução fora do comum, a decepção deve ser próxima da minha. Os times, quase sempre saem jogando pelas laterais, na tentativa de vencerem a marcação com uma correria e, caso não consiga, de cavarem uma falta para a bola ser lançada na grande área inimiga. Em meio ao bate-rebate entre atacantes grandes e pouco habilidosos e zagueiros pouco habilidosos e grandes, pode surgir uma bola espirrada, uma falha que culmine com um gol. Se isso funcionar, planta-se lá atrás até uma nova oportunidade surgir. Senão, nova corrida do lateral, nova falta...

O que falta mesmo são jogadores com capacidade de oferecerem a administração do jogo, do passa aqui e toma lá, do drible para encontrar um companheiro desmarcado, do passe para deixá-lo na cara do gol. A maioria das equipes povoam o meio com um monte de atletas que correm, transpiram, roubam a bola e...passam errado. Grande burrice, pois se o jogador toma a bola e entrega ao adversário é quase como se não tivesse tomado, em alguns casos até pior, pois possibilita a este o contra-ataque.

Enfim, um deserto é o que vemos hoje em dias nos campos do Brasil. O pior é que estamos nos acostumando. Passamos tanto tempo repetindo mentiras para nós mesmos, de como o campeonato era o melhor do mundo, de como era competitivo, que não percebemos que essa competitividade passava a se dar unicamente porque o nível é tão baixo que qualquer um pode vencer qualquer outro e, no fim, salvo algumas equipes que vencem mais e outras que perdem mais, o que sobra é um aglomerado cujos resultados podiam ser decididos no cara ou coroa. Não porque eles são muito bons, muito pelo contrário...

Espero que comecemos a reclamar disso. Que lembremos que um dia outros gigantes já deixaram de ser gigantes, sobretudo porque esqueceram sua natureza e acharam que, não importa o que fizessem, sempre seriam maiores do que qualquer outro. Está na hora de dar um basta a isso. De querer também ver um jogo de futebol e não uma prova de atletismo que dura 90 minutos.
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